Tactear o transitório. Ser fulguração. Sentir o esgar da revolta, da ironia, do espanto...

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A metáfora
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No ano passado escrevi um poema que começava assim:"sinto a lâmina do teu ciúme no meu peito" - era uma metáfora, claro. E não suspeitei.
Agora, que me espetaste a faca de descascar batatas entre as costelas, único desfecho lógico para o nosso amor; agora, que sinto a lâmina e o sangue morno a alastrar-me na camisa, sei, finalmente e tarde demais, a fraca expressividade das metáforas.
Por isso, se ainda gostares um bocado de mim, pede para, na segunda edição, alterarem o verso para:"sinto o teu ciúme como uma lâmina no meu peito".

José Luís Peixoto
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14 Novembro 2006

7 comentários:

Anonymous said...

Entre os teus posts me perco e quero comentar, mas como? Poucas palavras cheias de entrelinhas e recheadas de vivencias. E assim fico-me pela leitura, pelo olhar sempre surpreso e encantado.
Eu gosto de metáforas, mas não há metáfora que as defina.
Como vês deixas-me sem palavras( o que é dificil, já que sou tão faladora) ...continua assim.
Força e toda a felicidade do mundo é o que te deseja a
Granny/edith

me said...

o zé luis escreve muitíssimo bem... mas isso não interessa nada.

o importante, quando, por vezes, queremos agradar a alguém, são as batatas que ficam por descascar.
as facas de descascar batatas possuem uma insuspeita dignidade.

facka é inglês.

Letras de Babel said...

dear granny

não te percas entre os meus posts que é um espaço vazio e escuro...

mas continua a falar que este blog vale mais pelos comentários que por outra coisa.

(vai-me custar só por isso)

beijos

eu tenho lá força para toda a felicidade do mundo...

Letras de Babel said...

dear you

pois possuem. morrer de fome, também, se reparares bem.

perde-se o direito ao título de melhor fada do lar do ano...mas isso não interessa nada.

tenho um amigo, cá no burgo, de apelido facadinhas. curiosamente, o que sempre me irritou, é a única pessoa que conheço que me trata sempre pelo apelido, embora eu o trate pelo nome próprio.
deste-me a faca e o queijo para me vingar dele :)

Anonymous said...

ok, fica lá com a faca e o quijo... desde que a mão seja a tua (assim como assim, já estou habituado)

já agora, eu nunca reparo bem, em duplo sentido:
-vejo nas coisas aquilo que quero ou que imponho mesmo sem querer,
-acho que sou melhor a estragar do que a reparar.

como se pode ler na ironia do destino: há músicos que tanto são bons em arranjos como o são em concertos. eu, como sabes, trabalho numa cabine de portagem de auto-estrada.

Anonymous said...

queijo

é mais assim tipo eu...

Letras de Babel said...

i know you work in a nowere road's cabin...

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