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nem título nem nada
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fechei um capítulo
farta de ler
e só agora resolvi
como se já soubesse
o que é um capítulo
de que é feito
que é que tem lá dentro.
como tal
e para prevenir
mais saber
menos saber
fecho já dois.
(e esta porcaria
nem merece fotografia.)
farta de ler
e só agora resolvi
como se já soubesse
o que é um capítulo
de que é feito
que é que tem lá dentro.
como tal
e para prevenir
mais saber
menos saber
fecho já dois.
(e esta porcaria
nem merece fotografia.)
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20 Julho 2006
2 comentários:
Não.
A palavra ecoa na sala vazia dos meus pensamentos.
E eu não quero ser a pedra no caminho,
mesmo que esteja sozinho.
E eu não quero ser o espinho da flor,
mesmo que a mão não me toque.
E eu não quero ser substituto,
mesmo que seja um actor.
E eu não quero ser igual,
não quero ser teatro,
não quero ser amor.
Não.
Mesmo que seja doloroso.
E eu não quero ser obrigação,
mesmo que de coração.
E eu não quero ternura,
mesmo que pura.
E eu não quero o sorriso,
mesmo que seja preciso.
E eu não quero querer,
não quero ser verdade,
não quero saudade.
Não.
Mesmo que o sim seja mais fácil.
E eu não quero perseguir um ideal,
mesmo que seja normal.
E eu não quero ser mais um vazio,
mesmo que haja fastio.
E eu não quero ser diferente,
mesmo que venha a ser.
E eu não quero poente,
não quero nascer,
não quero querer.
Não.
Mesmo que seja pouco o tempo.
E eu não quero ser beijo,
mesmo que haja o desejo.
E eu não quero ser fonte,
mesmo que exista a sede.
E eu não quero ser tudo,
mesmo que tudo seja pouco.
E eu não quero ser frio,
não quero ser verso,
não quero ser louco.
Não.
Mesmo que eu tenha forças.
E eu não quero ser mal,
mesmo que o bem esteja morto.
E eu não quero ser imã,
mesmo que a atracção seja vital.
E eu não quero ser alimento,
mesmo que eu seja tesão.
E eu não quero ser deus,
não quero lamento,
não quero paixão.
Não.
Mesmo que as palavras sejam ditas.
E eu não quero respostas,
mesmo que eu seja pergunta.
E eu não quero propostas,
mesmo que eu puxe o assunto.
E eu não quero sangria,
mesmo que o fim esteja perto.
E eu não quero ser dono do mundo,
não quero universo,
não quero um deserto.
Não.
A palavra ecoa na sala vazia dos pensamentos.
E eu não quero ser lágrima,
mesmo que de paixão.
E eu não quero ser história,
mesmo que de glória.
E eu não quero ser mera lembrança,
mesmo que de criança.
E eu não quero vitória,
não quero segredo,
não quero memória.
Não.
Mesmo que pareça romântico.
E eu não quero ser poesia,
mesmo que a lua me peça.
E eu não quero heresia,
mesmo que um dia eu mereça.
E eu não quero calor,
mesmo que nada me aqueça.
E eu não quero leitura,
não quero tristeza,
não quero deixar de escrever.
Tacteio a penumbra
da dúvida e do espanto.
E eu não quero tocar
na dor das palavras
de quem as reinventou
ou tomou para mim
(ou as sentiu para si).
Neste turbilhão em negação,
eu quero só saber da paz
que há em perceber que
Não (é apenas)
a penúltima coisa que se faz.
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