Tactear o transitório. Ser fulguração. Sentir o esgar da revolta, da ironia, do espanto...

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"Juntos tentavam prolongar a ilusão de que o vício de um corpo é incurável. Diz-se que é uma questão de pele. Desculpas. Pele é pele, dedos são dedos, alavancas são alavancas. E por aí fora; é uma questão de fantasia. Uma questão de literatura. Rigorosamente, ela não precisava dele para fornicar. Ninguém precisa de ninguém para o exercício do sexo - do que todos precisamos é do amor dos outros. O amor pequeno, parcelar, da ternura e da vaidade; e o amor grande, que se nos entranha como um orgão imaterial e nos faz respirar por toda a vida."
(...)
«É difícil viver contigo e impossível viver sem ti.» «Tens a certeza? E se estivéssemos só a repetir o que nos ensinaram? A viver o amor de que se fazem os livros. Para um livro ser bom, o amor tem de ser mau. E se pudesse não ser assim?» «Achas que é possível que o amor seja bondoso e bom ao mesmo tempo?» «Quando tu dizes bom, eu penso belo; estou programado assim.» «Mas se gostares de mim o suficiente para imaginar que bom e belo podem ser sinónimos, eu respondo-te que o amor pode acordar feio, desgrenhado, assustador, e continuar a ser belo, apesar dessa tristeza.» «O meu amor por ti, às vezes, não é mais do que uma ruína, uma ruína onde estremeço de frio. Mas prefiro estremecer por causa de ti do que procurar outra paisagem.» «Andas a dormir com alguém?» «Já não, encontro-te sempre, até nos corpos das outras me farto de ti, o meu amor por ti é tão banal e absoluto que está em todos os corpos, entendes?» «Perfeitamente. Como é que vamos resolver isto?» «Porque é que temos de resolver isto? Talvez este amor, esta coisa nossa, seja uma guerra como essas que tu estudas, infinitas, com o sangue e a paz entremeados. E páginas em branco.» «Somos os dois muito maus na questão das páginas em branco. Se reparares bem é isso.» «Talvez eu não goste de reparar bem. Acho até que é por isso que preciso de ti; para me irritar contigo porque reparas sempre em tudo o que me escapa.» «Achas que ainda teremos medo de viver juntos daqui a vinte anos?» «Não sei. Sei que nos arrependeremos se não tentarmos. Mas não consigo perder o medo.» «Não tens de perder o medo. O medo faz parte do que somos os dois.» «Nunca te esqueces de mim quando tens prazer com outras pessoas?» «Não, e aí está uma coisa difícil de te perdoar.»
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29 Abril 2007

12 comentários:

isabel mendes ferreira said...

aqui só porque é um post teu.


graficamente perfeito.


e mais não escrevo.....:))))))))))))porque (sorry) a autora do texto nada me diz....

Tu sim.

Bandida said...

haverá grandes e pequenos?!...

hummmmm... não sei. só sei que há.



beijosssssssssss


B.
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Letras de Babel said...

a autora também não me diz nada nem deixa de dizer, isa. mas também não é má mecita e faz-me o favor de escrever algumas coisitas por mim :)

eu? eu só tenho é rasgos e rasgos...

(é por isso que isto anda mau...)

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atão não há, bandida?
pequenos, ínfimos, grandes e enormes, digo eu, que perco horas a ler os rótulos dos produtos nas lojas e até tenho um dossier com os
folhetos dos medicamentos...

:)

cereja said...

"e o amor é isto e nada mais."

nao sejas só rasgos, nao esqueças o que sentiste no sitio onde se formaram, preenche-os.
nao sei, é so uma ideia :)

inimaginavel said...

Já li.
Gostei... não adorei.
A simplicidade está mascarada de dificuldade.
Só gosto de dificuldades reais, não de dificuldades fingidas...

Joanne said...

Maravilhoso :)

intruso said...

[o J.Colombo é excelente!

...da I.Pedrosa só gostei de "fazes-me falta"...]


bjs

Letras de Babel said...

uma bela ideia, diga-se, cereja. mas todos os sítios estão já preenchidos. e nenhum esquecido.

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é sempre difícil imaginarmos as dificuldades dos outros, ini, ou a sua autenticidade...
quanto ao livro, apenas me passou pela mão e fiz-lhe uma leitura na diagonal (noblesse oblige...). e calhou esta passagem, que me disse algo, estar na linha...

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o blog, o post, o livro, o pequeno ou o grande amor, joanne?
seja o que for, maravilhou-te e gosto de quem se maravilha...

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também me passou pelas mãos, nas minhas leituras "à pressa", o Fazes-me falta, intruso. e esse pus de parte para ler com mais atenção. tocou-me aquela desgarrada entre a vida e a morte...

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beijos

SN said...

...forma bruta e até incoerente como ele coloca esta dependência independente, banal e especial...talvez o amor seja assim - sem definição, multifacetado, nem sempre coerente
...mas emotivo

Letras de Babel said...

o amor é uma droga dura...

blue said...

um livro graficamente interessante, com belas fotografias e um texto um tanto quanto meloso.

o que aqui se escreve é muito melhor. voltarei.
:)

Letras de Babel said...

não acho a inês pedrosa particularmente melosa. até a acho muito terra-a-terra. como estas palavras que retirei deste livro ( o que considero mais fraco do pouco que dela li). foi só por isso; as primeiras linhas e as últimas. as outras são só situação.

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aqui escreve-se melhor, blue? olha que eu sou só uma coisa que se espalha em partícula aqui, partícula acolá...

:)

mas obrigada. volta sempre.

beijo

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