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Amo rte
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...O amor é uma ferida em aberto na qual nos divertimos a espetar as unhas sujas porcas imundas para que nos doa para que a merda nos conspurque esse último dos refúgios secretos o último onde ainda temos a ilusão de nos podermos sentir seguros mas toda essa segurança é ilusória e não passa da maior de todas as mentiras que alguma vez nos enfiaram pela goela abaixo.
Amo-te odeio-te desejo-te profano-te é o mantra que todos devíamos adoptar porque só amar alguém não chega - a essa conclusão já eu cheguei e é a última de todas as vergonhas saber que o amor quanto maior é menos serve para alguma coisa.
O amor é adubo para o desespero e não há ano em que seja boa a colheita, não há ano em que a produção excedentária de amor sirva para nos livrar da fome que essa mentira nos faz aportar às portas do corpo às bocas do corpo, uma fome tão negra e imensa que só pode ser aplacada se mentirmos ainda mais uns aos outros.
Amo-te Nunca te abandonarei Agora está tudo bem Não te vou deixar.
São estas as mais usadas mentiras dietéticas.
Mais vale enlouquecer do que amar ou amar até à loucura a aí deixarmo-nos ficar do que continuar a viver esta mentira que nos corrói de forma metódica e paciente.
Prefiro queimadelas de cigarro nos pulsos nas costas no ânus em todo o corpo do que continuar a acreditar no que já não consigo acreditar. Quero saber do mais fundo da minha loucura que ainda há um amor que valha a pena mas essa crença ilusória escapa-se-me por entre os dedos de unhas sujas porcas imundas com que continuo a escarafunchar na mais velha de todas as feridas que carrego sobre o meu flanco magoado e moído. Quero ter os dedos em carne viva se for o preço a pagar para que a mentira possa converter-se em algo convincente e em algo de que nos possamos orgulhar. Quero que o amor o amor que não serve para nada me levante e esventre e exponha as minhas entranhas ao sol para que sequem. As minhas entranhas serão o papiro para as patranhas do amor. O diabo que nos carregue, a nós e ao amor para as profundezas.
LOVE WILL NOT SAVE YOU sr. Gira, o amor não pode nada o amor não serve para nada e não há nada que possamos fazer.
As vozes na minha cabeça gritam alto tão alto - os pequenos demónios assalariados do amor - e não me deixam dormir. Cassiel Cassiel anjo da solidão e das lágrimas onde estás tu meu filho da puta quando mais és preciso?
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Alberto Cinza
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04 Outubro 2006
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