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estou a comer uvas sem grainha e muito doces. é a primeira vez que como uvas, sem grainha, hoje. não é a primeira vez que penso em ti, hoje.
é curioso pensar em ti enquanto como uvas sem grainha, porque as como muito depressa e em ti penso muito devagar. como se tivesse medo de ser surpreendida por uma grainha no pensamento.
o duarte também está a comer uvas sem grainha e diz-me:
- é engraçado quando estas uvas rebentam na boca.
e, com a mão fechada, faz o gesto de a abrir muito depressa.
e eu digo:
- fazem plop.
ele pergunta, a rir:
- fazem blog?
os miúdos, hoje, percebem mais de net-linguagem do que de onomatopeias.
não deixei de comer uvas sem grainha nem de pensar em ti, enquanto falava com ele.
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28 Setembro 2006
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