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onde andas tu
que não te encontro em nenhuma palavra
não te sinto em rosto nenhum?
onde andas tu
que não te reconheço no toque que me toca
não te cheiro nos odores que me cercam
não te ouço bater em peito nenhum?
busco-te incessantemente desde que me lembro de ser
mas tu foges
arredio e fugaz
apareces numa esquina onde me lanças um sorriso que
arrependido
te lança de novo para longe de mim.
procurei-te em mil mares onde fui náufraga
escalei montanhas de onde me despenhei
persegui-te em caminhos de gelo inquebrável
esperei-te deitada no horizonte mais próximo
nos dias de descanso insondável
onde o sol se pôs vezes sem fim
e arranhei sempre essa cama
para a saber exacta
e agora aqui estou
mais de meia vida vivida, aqui estou
com a distância que as certezas põem no olhar
com o coração apertado para não parar
com a esperança a definhar
por todos os risos que já vi
não te reconhecendo em boca nenhuma
como se a vida tivesse criado um jogo para mim
e os deuses bailassem no Olimpo do meu coração
por isso te peço
encarecidamente
quando chegares
- porque eu sei que nesta vida não
mas noutra qualquer tu vais chegar -
faz do vento o piso dos teus pés
e do mar o som da tua voz
e sussurra-me ao ouvido
num grito contido
para que eu te ouça bem
diz logo, sem demoras
- sou eu. o homem da tua vida.
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