Tactear o transitório. Ser fulguração. Sentir o esgar da revolta, da ironia, do espanto...

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Profilaxia I
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Das duas às nove põe, por favor,
o ar genial de outrora e deixa em casa
o banal que tens agora.
Vem com porte leve e tão suave
que qualquer raiva desarme.

Voltarei o rosto. Para ti, para outro,
para mim,
ou olharei em frente.
Fecho a janela.
Hoje vai ser no chão da sala
que te arrasto, envolvo,
depois suavizo...

Hoje é de muito que preciso.
Senhora em sede própria.
Vais fazer como quero.
Quando me apetecer, desfaço.
Ponho-te na rua de um modo qualquer,
sem embaraço.

E voltarás. Quando eu disser.
Do que se passar não vais fazer
qualquer juízo.
Proíbo.

Depois da missa, depois da plástica,
depois da ceia pronta,
da hipocrisia barata.
Virás.


Receituário: repetir três vezes ao deitar
e mais três vezes ao acordar.
Contra indicações: não tem. É do melhor.

Preço fim-de-estação. É para saldar.
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28 Maio 2006

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