Tactear o transitório. Ser fulguração. Sentir o esgar da revolta, da ironia, do espanto...

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(Isto não estava aqui)
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1. Entra aqui comigo. Tu não sabes mas escrevemos isto a dois.
Que só me percebo por ti. Que não consinto mais ninguém.
A minha vida, a minha alma, o meu corpo não consentem.
Estás dentro de mim como um orgão essencial ao meu respirar.
Ofegante. Trémulo. Inesperadamente radiante.

O meu corpo, onde estás.
Falo com ele. Acaricio-o. Sei-te assim. Sabemos um do outro.
Estás comigo todos os dias nos sítios onde vou todos os dias.

Às vezes sinto frio. Assusto-me.
É então que te vejo a observar-me, irónico, rebelde e triste.
De longe.
Toco-me e trago-te.

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2. À noite acendo um cigarro. Falo-te e tu olhas outra coisa noutro lado qualquer. O teu inferno.
Toco na tua almofada. E , como sabes do meu medo, sorris.

Descubro-te, então, comovido, no entrelaçar dos teus dedos nos meus.
E vou contigo quando fechas os olhos.
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3. Odeio a manhã. De manhã estás tão diferente.
Endureço. Agarro-me. Deixas de controlar os meus actos.
É o sol, amor.
Não fomos feitos para o sol.
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(este e os três posts anteriores foram originalmente escritos em Fevereiro e Abril de 2005)
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01 Maio 2006

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