Tactear o transitório. Ser fulguração. Sentir o esgar da revolta, da ironia, do espanto...

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Algemas
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"A vida são portas condenadas" - escreveu alguém (e que, aqui, arrumo, adapto e acrescento)

São portas que passamos.
E pensamos que ao abri-las descobrimos o mundo e arrumamos o caos interno.
Depois percebemos que elas se fecham uma a uma. Nas nossas costas. Na nossa cara.
Com uma força esmagadora que nos deixa de braços caídos a perguntar

Porquê?

São portas condenadas.
Primeiro fecha-se a da infância. Dos risos ao sol, das tardes a brincar, dos livros coloridos, dos colos, do beijo antes de adormecer.
Depois crescemos e alguém nos diz: tu és capaz, tu és capaz...

E ficamos por nossa conta.

A partir daqui tudo se estreita.
Percebemos que viver é apenas um precário equilíbrio. Uma travessia solitária. Que nos há-de levar a um lado qualquer que é sempre do outro lado.
Onde está tudo aquilo que nos convencem que queremos.
Que escolhemos como objectivo para alcançar uma coisa qualquer a que gostamos de chamar

Felicidade.
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Para além disto gostava de dizer que

Às vezes e através de ti, convenço-me que afinal a vida não são só portas condenadas.
Que através de ti alcanço momentos tão
Gratificantes
Deslumbrantes
Partilhados
Absolutos
que é como se todas as portas do mundo se abrissem.

Mas não posso.

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04 Março 2005

1 comentários:

Francisco Coimbra said...

seria já possível
assim o vento
conseguisse
passar...

lembra-me
qualquer coisa
de que me esqueço

as ideias têm
este berço

os versos palavras

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