Tactear o transitório. Ser fulguração. Sentir o esgar da revolta, da ironia, do espanto...

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Gota. Corrente. Dilúvio.


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para os amantes que voam
                                             (há amantes que se afundam)
numa cama que não acreditam fria
é sempre verão. sofreguidão.
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nu. húmido. suor.
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viscosidade de pólen transformado
numa papoila a abrir-se
louca de amor e de droga.

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25 Maio 2005

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Requiem - Confutatis
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Destinados às chamas da tristeza?
Acreditar num fogo que nunca morre, no qual ardemos eternamente?
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(O inferno vai para além daqui?)
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12 Maio 2007

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like imortal burning ashes
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- eu sei das vezes que procuras aquele lugar desmedidamente imprevisível,


onde te imponhas à natureza das coisas e faças nascer sonhos no ar, a fingir não os quereres ao teu lado, como eu.

- quero conseguir ouvir-te murmurar o meu nome. e tu, consegues ouvir-me?

- não me deixes partir.

- sempre te segurei na tristeza de não conseguires ver-me. e...

se me trouxesses aquele mar de outrora e eu encontrasse o teu joelho como que por acaso...

renasceriam braços e olhos de encantamento para apertar fraquezas, sentir-te tremer e ver-te dormir. depois dum dedo num canto da minha boca.

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06 Maio 2007


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Ainda adormeço agarrada a ti

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e acordo com os ângulos do tempo marcados na pele


é esta a tua hora de chegar


e o sítio que escolhes para ficar
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29 Abril 2007

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"Juntos tentavam prolongar a ilusão de que o vício de um corpo é incurável. Diz-se que é uma questão de pele. Desculpas. Pele é pele, dedos são dedos, alavancas são alavancas. E por aí fora; é uma questão de fantasia. Uma questão de literatura. Rigorosamente, ela não precisava dele para fornicar. Ninguém precisa de ninguém para o exercício do sexo - do que todos precisamos é do amor dos outros. O amor pequeno, parcelar, da ternura e da vaidade; e o amor grande, que se nos entranha como um orgão imaterial e nos faz respirar por toda a vida."
(...)
«É difícil viver contigo e impossível viver sem ti.» «Tens a certeza? E se estivéssemos só a repetir o que nos ensinaram? A viver o amor de que se fazem os livros. Para um livro ser bom, o amor tem de ser mau. E se pudesse não ser assim?» «Achas que é possível que o amor seja bondoso e bom ao mesmo tempo?» «Quando tu dizes bom, eu penso belo; estou programado assim.» «Mas se gostares de mim o suficiente para imaginar que bom e belo podem ser sinónimos, eu respondo-te que o amor pode acordar feio, desgrenhado, assustador, e continuar a ser belo, apesar dessa tristeza.» «O meu amor por ti, às vezes, não é mais do que uma ruína, uma ruína onde estremeço de frio. Mas prefiro estremecer por causa de ti do que procurar outra paisagem.» «Andas a dormir com alguém?» «Já não, encontro-te sempre, até nos corpos das outras me farto de ti, o meu amor por ti é tão banal e absoluto que está em todos os corpos, entendes?» «Perfeitamente. Como é que vamos resolver isto?» «Porque é que temos de resolver isto? Talvez este amor, esta coisa nossa, seja uma guerra como essas que tu estudas, infinitas, com o sangue e a paz entremeados. E páginas em branco.» «Somos os dois muito maus na questão das páginas em branco. Se reparares bem é isso.» «Talvez eu não goste de reparar bem. Acho até que é por isso que preciso de ti; para me irritar contigo porque reparas sempre em tudo o que me escapa.» «Achas que ainda teremos medo de viver juntos daqui a vinte anos?» «Não sei. Sei que nos arrependeremos se não tentarmos. Mas não consigo perder o medo.» «Não tens de perder o medo. O medo faz parte do que somos os dois.» «Nunca te esqueces de mim quando tens prazer com outras pessoas?» «Não, e aí está uma coisa difícil de te perdoar.»
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29 Abril 2007

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A metafísica do efémero II
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Ties dies

( e dito assim, parece música...)

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29 Abril 2007

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Também me saem coisas queridas na interné
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Eu sabia que não era impunemente que se tinha um blog. Que as forças do mal andavam aí.
Eu devia ter posto a isto um nome tipo "O meu favinho de mel" ou "As ondas do mar são verdes e azuis e as outras, às vezes, também", e ninguém dava por nada. Muito menos uma bandida que não quer saber de mel's nem de frases óbvias.
Por muito menos estão pessoas no corredor da morte - e estou, agora, a referir-me a mim e ao que vou fazer a seguir. Eu sei que não era obrigada, mas que querem? Quando descobrem a terrorista que há em nós já não se pode apagar o rastilho.
Quanto aos blogs que vou nomear, pensem nisto como se estivessem no Big Brother, quando chegar a vossa vez. Inventem um choradinho qualquer (já agora, melhor que o meu), não se esqueçam de dizer que todos (ou quase todos) os blogs que estão nos vossos links mereceriam a distinção mas que só podem nomear cinco de entre aqueles que vos fazem pensar. Muito ou pouco, bem ou mal - são questões que não constam no tópico desta "corrente". Não me perguntem onde vai ela dar, para que se destina ou se vai haver prémio, que não fui informada de nada disso nem tenho tempo agora; o rastilho está quase no fim e qualquer par de olhos negros e pestanudos me serve.


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E os nomeados (exequo com os restantes 298) são:
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Puro instinto - sempre a vadiar acompanhada ao piano por um coração de papel
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Inimaginável - com tanto do que eu também (in)imaginei
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Outro tempo - de quem quer mais tempo para ser
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Abssinto - um género peculiar de autenticidade
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Lonely gigolo - ...das palavras. que se diz exanimatus e em confusão, entre outras coisas. [vês? saem-te coisas queridas na interné, não só testes :)]. um dos novos talentos que gosto de descobrir por aí.
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Agora ide. Ide e espalhai a nova.


Take 2
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Também tu, Maria? És mesmo de Gondomar...olha terroristas pra ti, não é?
Bem, o texto para esta nova nomeação é mais ou menos o mesmo que o do take 1. E os 5 blogs que vou nomear desta vez também estão mesmo aqui na ponta dos dedos, já que me ficaram como lacunas por preencher. Agora já só faltam 293...
Sem mais delongas (e obrigada, Maria), os nomeados são:
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E se pensam que cada um destes blogs precisaria de traço-explicação é porque não os conhecem...
(...e porque acho que me ia repetir.)
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28 Abril 2007 (acrescentado em 7 Maio 2007)

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A notícia incensurável
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O espírito

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As coisas nos lugares certos

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O ar agora a cores

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Gritos de ontem à solta

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Os tons certos numa mão de artista

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Os porta-estandartes

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e tudo porque

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Mesmo na noite mais triste

em tempo de servidão

há sempre alguém que resiste

há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

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25 Abril 2007


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A metafísica do efémero


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O negro é uma claridade quase a chegar
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(respira e não antecipes)

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21 Abril 2007

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Eixo de amor epistolar
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"Entre Moscovo, França e Suíça forma-se um triângulo poético-amoroso entre três poetas do século XX: Boris Pasternak, Rainer Maria Rilke e Marina Tsvetaieva". As cartas que trocaram durante seis meses em 1926 (sem nunca se conhecerem), editadas em volume, servem agora a Inês de Medeiros para uma encenação teatral em torno de uma partilha de palavras intensamente lírica e arrebatadora. Medeiros é Tsvetaieva, poetisa russa exilada em França; Claúdio da Silva dá corpo a Rilke, checo radicado na Suíça, tomado pela doença; e Amândio Pinheiro interpreta Pasternak, poeta russo animado pela Revolução, a viver em Moscovo. A encenadora reúne em palco os três corpos que na realidade não se chegaram a encontrar, embora acredite que as suas cartas dêem a conhecer "um desejo de amar capaz de anular as distâncias", um amor que era "também exigente, impulsivo e egoísta". E pergunta: "quem se ama, o poeta ou o homem? Quem ama? Quem é amado?", numa tentativa de retomar, 80 anos depois, a vibração daquele fugaz eixo poético que atravessou a Europa.

No CCB, 12 a 15 de Abril - in Agenda LX Abril
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“Eu lia a tua carta a bordo do oceano, e o oceano lia-a comigo” (Tsvétaieva)

“Tu és o meu único céu legítimo e a minha mulher” (Pasternak)

“Como é que nos tocamos? Por golpes de asa” (Rilke)

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Robert Dessaix diz-nos que os triângulos transformam as linhas rectas em espaços.
E diz-nos a Física que a luz se propaga no ar e que tem três grandezas básicas: o brilho (ou amplitude), cor (ou frequência), e polarização (ou ângulo de vibração). Devido à dualidade onda-partícula, a luz exibe simultaneamente propriedades quer de ondas quer de partículas. E que propagando-se em meio homogéneo, a luz percorre sempre trajectórias rectilíneas; somente em meios não-homogéneos é que a luz pode descrever "curva".

Precisamente.

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15 Abril 2007

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Pure blood or a way to be swan


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Perguntei-te: o que é isso do amor, e tu meteste-me
uma mão entre as pernas e perguntaste: sentes?
E eu corei e disse que ali não, que estávamos no meio do café
e removi a tua mão quente de entre as pernas que apertei
com força - com vergonha. Rias-te e dizias enfim
que o amor era quando eu tinha sangue ali, quando
eu tinha sangue no dentro de mim mas que não
me pertencia. Eu pensei que não queria uma resposta
metafórica, pensei alto sem que ouvisses enquanto
levavas à boca a chávena de design moderno cheia
de chá até quase entornar. Os teus lábios aquecendo
do chá que ferve mostram também um sangue, penso,
e inclino-me sem metáforas para tocar com os meus dedos
a tua boca. Perguntei-te o que é isso do amor e tu disseste:
é cisnes, e fechaste em torno de mim as pernas e os lábios
e amámo-nos, e aquecemos o mundo todo,
tecido orgulhoso de líquidos. Depois, no fim, vestimo-nos e
olhámos o amor a ir-se embora nos dígitos encarnados
do relógio de cabeceira.
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12 Abril 2007

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Os maiores portugueses de sempre.
Vá lá, desde 1139 [ou 1143, é controverso (acho eu)]
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O cartaz do Partido Nacional Renovador (PNR), colocado na Praça do Marquês de Pombal, apelando ao fim da entrada de imigrantes em Portugal, ganhou na passada quarta-feira uma companhia: um outdoor da autoria dos Gato Fedorento.
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José Pinto Coelho, fundador e presidente do partido nacionalista, tem agora a companhia de Ricardo Araújo Pereira, Tiago Dores, Miguel Góis e José Diogo Quintela. Os quatro humoristas decidiram parodiar o cartaz do PNR.
Com as mesmas dimensões do vizinho, o outdoor dos Gato Fedorento mostra os rostos dos quatro humoristas, todos com bigode e pêra, numa clara imitação de José Pinto Coelho, além de algumas frases em oposição à mensagem inscrita no cartaz do PNR.
«Mais Imigração. A melhor maneira de chatear os estrangeiros é obrigá-los a viver em Portugal. Com os portugueses não vamos lá. Nacionalismo é parvoíce», é a resposta dos Gato Fedorento à mensagem xenófoba do PNR, na qual pode ler-se «Portugal aos portugueses. Basta de imigração, nacionalismo é solução».
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À imagem do avião a afastar-se, com a mensagem «Façam uma boa viagem», a resposta dos «gatos» é o mesmo avião a aterrar e a expressão «Bem-vindos!».
O cartaz dos Gato Fedorento foi custeado pelos próprios. «É uma piada um bocadinho mais cara», disse ao Portugal Diário Ricardo Araújo Pereira.
«Assim que vimos que era possível veicular mensagens grotescas no Marquês de Pombal, e dado que também temos duas ou três mensagens grotescas, não quisemos ficar atrás», disse o «gato».
Quantos às mensagens no cartaz dos Gato Fedorento, o humorista diz que acredita em tudo o que está escrito: «Sem dúvida, a melhor forma de chatear os estrangeiros é obrigá-los a viver em Portugal. Eu nunca tive problemas com estrangeiros, mas com portugueses tenho todos os dias. É no trânsito, é na fila do supermercado...».
«E são muitos anos de história que provam: Com os portugueses, não vamos lá!»
Segundo o humorista, «não foi difícil ter autorização» para colocar o cartaz no Marquês de Pombal, «até porque não pedimos».
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in Portugal Diário
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Actualização:
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A Câmara de Lisboa vai mandar retirar um cartaz do grupo humorístico Gato Fedorento colocado "ilegalmente" no Marquês de Pombal, que satiriza outro cartaz contra a imigração colocado pelo Partido Nacional Renovador (PNR).
Segundo uma nota do gabinete do vereador dos Espaços Públicos, António Proa, o cartaz dos Gato Fedorento, colocado ao lado do do PNR, "não possui licença camarária". Caso a notificação para a retirada do cartaz não seja cumprida, a autarquia vai "proceder à sua remoção coerciva", que terá que ser paga pelo infractor.
A nota da autarquia refere que em relação ao cartaz do PNR, cujas mensagens ficaram praticamente ilegíveis depois do vandalismo, "não tem capacidade legal" para o remover, ressalvando que "a lei confere total liberdade" às forças políticas e que a autarquia não pode agir "mesmo quando a razoabilidade e o bom senso assim o pareçam exigir".
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in Expresso
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Ou seja:
Amanhã (ou já hoje) o PNR tem toda a "legitimidade" para colocar um outdoor mais ou menos assim "Dia 25 de Abril grandioso comício no Marquês de Pombal, onde se agendará a "limpeza" da estrangeirada neste nosso querido Portugal, findo o qual se procederá à distribuição de armas a quem for portador de licença de porte das mesmas". Ou outras palavras que queiram dizer o mesmo.
Podem fazê-lo. A autarquia não tem capacidade legal para se opôr. Mesmo quando a razoabilidade e o bom senso assim o pareçam exigir, a lei confere total liberdade às forças políticas para comunicados públicos. Quem o diz é o sr. (também "engº"?) António Proa. Só não diz o que esperaria os "vândalos" que destruiram uma coisa assim, devidamente legalizada, se fossem apanhados em flagrante delito. Mas a gente sabe.
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Adenda (em 12 Abril): Ainda em relação ao cartaz do PNR, em declarações à TSF, o juiz (jubilado) do Tribunal Constitutional, Guilherme da Fonseca, considera que o cartaz deve ser removido pelo Governo Civil de Lisboa. E que, como a mensagem nele inserida viola a Constituição, se houver alguma queixa, o TC deve proceder à dissolução do Partido.
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05 Abril 2007

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Around and around...



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Dentro deste espaço há alguém que fala. Habitam-no o medo e o fascínio, o pranto e o deslumbramento, o adeus e a solidão. Por estas linhas onde a serenidade e o equilíbrio parecem repousar na noite em fundo, desdobram-se as pontas de um véu lavrado a panteísmo, e na borda das palavras inquietas cresce um quotidiano consentido. Não se pode falar de resignação mas antes de uma certa aceitação dos anos e contingências que eles acarretam. Os prazeres fecundos de um conhecimento onde tropeça o sangue da eterna juventude e se ouve o grito de um outrora-agora.
Corre, no âmago disto tudo, um monólogo onde o outro assiste, impotente, sempre exterior, mesmo quando a partilha o toca. E, apesar disso, o monólogo é quebrado aqui e além e também porque ele responde e comenta, também ele medita em palavras audíveis rompendo o compromisso de uma solidão buscada, a tal ponto que são dele, o outro, as últimas palavras aqui desenhadas a giz.
E há um segredo reduzido a pó. Antecipadamente.

Anotações menos secundárias:

A Primavera irrita-me, com tantas horas de sol que não me servem para nada. Ainda bem que se acabaram estes dias de férias; cansa-me passá-los a perguntar-me, desde há muitos anos, para que é que eu meto férias.
Um filho que não sabe a fórmula de morrer de amor e continuar a viver. E eu que não sei como ensinar que o resultado dela é zero e que isto são contas que só se acertam mais tarde.
Acho que ainda sou uma conversadora nata mas já não suporto ser obrigada a ouvir tudo o que digo.
O mundo em vertiginoso descarrilamento e, nos cafés, lê-se o jornal de perna cruzada.
Ontem sonhei que os meus sonhos tinham falta de mim.
E gostava mais da pessoa que eu era contigo.
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02 Abril 2007

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Citações, #Poesia
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“Acontece na vida de toda a gente. De repente, a porta que se fechou entreabre-se, a grade que se acabou de descer volta a erguer-se, o não definitivo já não é senão um talvez, o mundo transfigura-se, um sangue novo corre-nos nas veias. É a esperança. Pena suspensa. O veredicto de um juiz, de um médico, de um cônsul fica adiado. Uma voz anuncia-nos que nem tudo está perdido. Trémulos, com lágrimas de gratidão nos olhos, passamos para o aposento seguinte, onde nos pedem para esperarmos, antes de nos lançarem no abismo.”
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Nina Berberova, Terra de Ninguém
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02 Abril 2007

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bandida said...
desenha-me um silêncio...outro
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silêncio

o que já temos

quando o abismo serve

para aprender a voar

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30 Março 2007

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Robert através de Turgueniev

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O amor já não é possível para a maior parte das pessoas

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Amar uma mulher 40 anos sem nunca a ter? Foi o que aconteceu ao russo Ivan Turgueniev. O australiano Robert Dessaix pegou nesse amor de há século e meio para viajar com ele e falar de tudo o que lhe interessa. Dos triãngulos amorosos à Rússia de Putin, aliás, O Grande Inquisidor.


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(...)
Por causa do vazio?
Há um vazio e é difícil viver. A pergunta é recorrente: porquê não me matar? Porque, às vezes, a vida é dolorosa. A geração dos meus pais tinha algum tipo de fé. Não era que acreditassem, mas tinham fé. Em inglês é diferente. Para acreditar ["to believe"] é preciso acreditar que alguma coisa é verdade. Creio que os meus pais não acreditavam que Jesus Cristo fosse o Salvador deles, mas tinham fé que de algum modo existe uma presença divina que tomaria conta deles. Mas para nós é difícil. É possível se vivermos no Texas, talvez, mas não se vivermos na Austrália, até em Portugal...

Era uma "ménage à trois? [Turgueniev era amigo do marido de Pauline, Louis]
Não, não há palavras para o que era. Era um triângulo. E eu gosto de triângulos, acho que dão possibilidades, transformam as linhas rectas em espaços.

Ele está no centro do que chama este crepúsculo do amor, quando o amor se torna algo...
...muito difícil. É uma espécie de "énnui" com a vida. A sensação de que a vida é só sofrimento e não tem sentido. De que os seres humanos são estúpidos, cruéis. É o que sinto quando leio os jornais. Nem só George Bush é estúpido, toda a gente é. E há uma espécie de "banalisation" de tudo. E uma vez que a provámos é difícil esquecê-la. Há momentos em que vamos a um concerto maravilhoso, ouvimos uma canção de amor de Cole Porter ou apaixonamo-nos, ou vemos um belo lago ao pôr-do-sol, e esquecemos por cinco minutos.

Mas isso tem a ver com o crepúsculo do amor?
Não é bem a mesma coisa. Se o amor fosse possível claro que poderíamos esquecer este "énnui"...Talvez para mim ainda seja possível, mas para a maior parte das pessoas no Ocidente é impossível. Talvez seja possível na Índia, ou...

Porquê?
Porque não acreditamos na alma.

E por que é que para si ainda é possível?
Porque...como Turgueniev sou uma mistura de romântico e racional. Ainda tenho um lado místico que acredita em presenças reais, e se acreditamos em presenças reais ainda podemos amar. Mas se somos pós-modernistas não há uma presença real. Há apenas uma reacção química. (...) Eu não acredito em presenças reais às três da manhã mas posso acreditar às três da tarde...E amo diferentes pessoas de maneiras diferentes, estou disposto a correr riscos, então, é talvez possível ainda amar.

Turgueniev não era um homem muito sexual.
Ele mesmo o diz. Para ele, como para o "troubador", essa não era a coisa principal, o principal é apaixonar-se.
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Excertos da entrevista de Alexandra Lucas Coelho a Robert Dessaix
in Ípsilon - 23 março 2007
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Outra entrevista aqui
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28 Março 2007

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.....................................- se quiseres, sublinhado, se quiseres...
.....................................- eu quero. e tu queres?
.....................................- eu...tu sabes.
.....................................- não sei se sei. mas reformulo a pergunta: tu queres mesmo...e muito?
.....................................- ...
.....................................- diz.
.....................................- quero.
.....................................- e...?
.....................................- mesmo.
.....................................- e...?
.....................................- muito.

........................._________________________________ isto é um silêncio ________________________
......................_________________________________ que não sei desenhar _______________________
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26 Março 2007

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Or like Narcisus


Gosto da ideia romântica de que as pessoas que não conseguem amar afinal têm é um grande amor infeliz e secreto para expiar. E que em cada corpo novo, cada paixão instantânea, querem desesperadamente lavar - ou renovar? - a lembrança do que não esquecem.
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excerto daqui
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26 Março 2007

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When Nan meet Lavinia
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One can only half-love something
the other half is us

and

even so
so much happens that is
contradictory

that

I don't know that those halves
(either one)
exists.

Let me open you
for my daily dose
My half-tear.

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23 Março 2007


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De tempo e de perda

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Noite desigual. Pensamentos antes improváveis. Uma tempestade a varrer as cores duma vida a que só por medo se agarra.
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Se estivesses aqui e eu deitasse o meu pescoço para trás, nesta cadeira do escritório, fechasse os olhos e suspirasse, tu não terias a certeza se eu estaria cansada, quisesse ir buscar imagens de algo de nós lá muito dentro da memória, ou se um bem estar invulgar teria tomado conta de mim.

Se me levantasse de repente e fosse a andar pelo corredor com passos apressados, não adivinharias porque o estaria a fazer ou sequer se era meu costume fazê-lo. Para a sala baixar o som da música porque estava a mais entre mim e a tua voz ou porque me doía a cabeça? Para a cozinha porque tinha a boca seca? Sede ou nervosismo? E saberias o quão raramente eu bebo água?
Se para a mesma sala te levasse e me sentasse no lado esquerdo do sofá de três lugares – o que fica em frente à televisão – não terias a certeza se o fizera porque era um hábito de sempre, porque queria ver bem a notícia que estava a passar no écran ou porque queria deixar espaço ao meu lado para que te sentasses onde querias sem ser preciso ser explícita e assim impedir-te de te sentares num dos outros sofás só de um lugar, inseguro.
Se eu te tocasse no cabelo como saberias que era uma indicação da memória cativa das palavras trocadas «eu, ontem, não falei em cabelos por acaso» «tu nunca dizes nada por acaso, não sei se já reparaste» ou se era uma mania minha mexer no cabelo das outras pessoas?
Se, finalmente, te abraçasse, te beijasse (até onde fosse longe...) e, pelo meio, te dissesse que já sabia o quanto a tua boca era contornável (e tu murmurasses que sim, provavelmente a parte mais contornável de ti) para, de seguida, te encaminhar para a porta de saída, perto da qual tinhas estado tanto tempo, já exangue, não saberias se o faria por, afinal, não ter sentido aquele fogo, quase cinematograficamente, tão falado entre nós, por não saber que fazer com tão pouco espaço entre os dois, ou simplesmente por querer esperar por ti (e pelo resto que ainda seria nosso) para o dia seguinte, por ter percebido que esperar sempre um pouco mais era o que de melhor tu e a vida m
e podiam dar e o que melhor me sabia. O sempre em lugar do já. Para sempre.

E mais ses. E os teus ses. E o tempo que já não me autoriza incertezas

Olha o cigarro que, no cinzeiro, se apaga sem chegar ao fim. Outros ardiam até àquele cheiro de papel queimado. Tinha existido um tempo em que a seduziam as evidências dos mistérios.
Cansada, larga a noite já sem rituais. Mais uns passos até à cama - lenitiva. Onde, pouco a pouco, a certeza de não fazer qualquer sentido um encontro entre eles adormece com ela.

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19 Março 2007

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Antony & The Johnsons
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If It Be Your Will (Leonard Cohen)

(speechless...)

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15 Março 2007

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Isto assim
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Era assim que se sabia. Não a escrever. Nem a pensar nisso. O círculo estava fechado. Não havia como entrar. O dia seguinte anunciou a passagem. Do que foi para o que se seguiria. Uma linha a tracejado.
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Não se sabe para onde virar os olhos quando só a angústia é pura. A cama às mãos atada. Uma laranja sobre o tabuleiro da cozinha quase desequilibra uma paisagem. Nos quartos interditos as mãos vão encerradas nos bolsos. A beleza é um perigo, algo nefasto que conduz ao delírio . Tudo o que está a mais dói. Sobretudo dói o doer da navalha. Chegar e não encontrar nada. Unicamente as coisas nos lugares exactos. Não há um sopro dentro da casa. Há uma coisa que se perdeu por descuido. Não vale de nada correr para nenhum lado. Entretanto o medo atravessa lentamente a sala. No meio o interior de tudo. À contra luz a pele fica anulada, projecta sombras, no branco das paredes. As paredes suspendem esta casa como a cabeça agarra um corpo. Um truque de mágica.
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Ficar por aqui eternamente mudo, é um destino. O mar bate muito ao longe. Todas as coisas foram feitas para serem desmembradas e depois reconstruídas. Entra aqui o artista com as suas mãos de prata. De natural tudo nos falta. Uma máquina empina-se e larga uivos. O artificial é um logro, um produto imaginativo. Somos feitos de um pó que deixou de ser feito. Entretanto perdeu-se a palavra. Isto assim. Mais vale escapar para o lugar onde não seremos vistos. A traição que nos agarra pelas costas. A alegria breve. O que ficou por dizer. Os dias felizes. Isto assim.
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Pedro Paixão
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15 Março 2007

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Abro-te cuidadosamente todos os dias
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para me dares uma lágrima tua a beber

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12 Março 2007

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Topic: Let's turn on and be
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- Let's quê?
- É duma canção do Bowie.

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Há muitos anos que andava a bater-me no peito, sozinha. Dizia-me que tinha ficado ali porque eu podia guardá-la até a entregar sem medo.
E eu, que não tinha medo de nada nem sabia que o havia de ter, deslizava entre outros sons.
Enquanto isso - às vezes em situações muito estranhas como quando uma onda enorme me enrolou e depois duma eternidade feita de murmúrios ascentrais me devolveu à terra - lá vinha ela: «You're too old to lose it, too young to choose it » ou «All the knives seem to lacerate your brain »...
Eu pensava que me agarrava porque eu queria senti-la e, com ela, o fim da minha adolescência. Que o que dizia era apenas mais uma voz dentro da minha cabeça. E, afinal, era para não me esquecer que, um dia, tu ias chegar, que era de ti que ela estava à espera em mim, e que era a ti que eu tinha de a entregar.

(Done)

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10 Março 2007

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Pontos nos ii, sabedoria básica ou não batas mais no ceguinho

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A existência da vontade no fazer mal é matéria muito elástica, eu sei. Mas isso também coloca a existência da vontade no fazer bem no mesmo patamar.



Picture:


Se gostares de mim, se me ajudares e acompanhares no que e quando eu precisar, mas mesmo assim como mais ninguém faz por mim, eu digo-te, depois de me levares a viver mais uma noite: Bye, desculpa lá a pressa. Sim, foi uma noite agradável. Gostei do filme e daquele barzito. A malta vê-se amanhã porque tenho ali uns cortinados novos para pendurar. Talvez ainda dê tempo para me levares às compras. Amanhã ainda terás o braço ao peito? E, a propósito, isso foi do quê? Ias começar a explicar quando tive de atender a chamada da Alice que estava em prantos por causa do Blue. Era um caniche tão querido, coitada. (...) Hã? Outra vez. Sim, sei que não foi por quereres que não reparaste que eu estava a responder aqui a uma SMS. Deixa lá, contas amanhã, se der...



Or, by another hand:


Se me ferires, ok, sem querer, que tu até podes pertencer à categoria dos que acertam sempre na nuvem em vez do prato - e isso só porque o mundo é imperfeito e não deviam estar aquelas nuvens estúpidas, no horizonte, quando estás a praticar desporto - eu fico triste mas tudo cool na mesma, tás a ver? Eu compreendo. Nem me lembro das vezes que isso aconteceu. De todas as vezes em que precisei de ti ou te quis, e tu nem sabias se eu ainda existia. E passou sempre, não? Ora bem, se fosse de propósito não era nada assim, mas como é sem querer...podemos repetir, amanhã, a noite de hoje? Eu compro mais velas e pétalas de rosa e faço o teu cocktail favorito. Que achas? Não podes? Então prometes que me ligas em breve? Não, não me aborreço contigo, claro que não, não tens culpa nenhuma. Tu até gostas de mim...



Se não há um querer adjacente ao acto de fazer mal, também pode não haver querer adjacente ao acto de fazer bem. E serem, ambas as coisas, passíveis do mesmo tratamento por parte do objecto desse querer - ou não - fazer. Até porque o objecto pode bem ter reacções que não são bem por querer. Entregas absolutas ou coisas do só quando e como calha...

(Coloquem os géneros a gosto: m, f ou nem por isso, muito pelo contrário.)

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09 Março 2007

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Espaço com poetas do lado de lá II
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Testemunho de essências indecentes
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Eu tenho vontades
Tenho um desejo ou dois
Intenções, projetos e insatisfações
Nunca soube o que deveria ser
Na falta de uma definição: sou
Procurei por respostas
As mais importantes foram:
bom dia - boa tarde - chega aí
Recebi ordens: nem todas cumpri
Nenhuma delas me definiu
Joguei muita migalha no chão
Varri sujeira pra trás da porta
Fechei portas de armários bagunçados
Nunca fui consenso
De tudo que pedi, quase nada recebi
E o que me deram foi vital:
Beijos, abraços, carinho e companhia
Não tenho a deus e nem ele a mim
Não vivo no inferno e não sou diabólico
Não fui julgado, não pretendo julgar
Meu juízo, pela média, é insano
Poder eu posso, talvez...
Divertido pensar que sou evoluído
Triste pensar que é mentira
Depois da tristeza? A realidade
Guardo a certeza da mutação
E sua irreversibilidade
Não quero a morte
Muitas batalhas já foram travadas
Já senti o seu cheiro e não gostei
É monótono, monocórdio, definido
A vida é polissêmica, dinâmica
Os cheiros, os gostos e as cores variam
A vida dói imprevisível e indefinidamente
E eu sigo pelas esquinas que passam
Se isso tudo faz sentido ainda estou vivo.
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05 Março 2007

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