Então, meus senhores, como é que é? Já se deve usar o preservativo? Ou, pelo contrário, coisital é proibido?
Resolvam-se.
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01 Junho 2006
Tactear o transitório. Ser fulguração. Sentir o esgar da revolta, da ironia, do espanto...
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o sofrimento em tela
como na carne
como a sonoridade do teu nome
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As duas Fridas, 1939
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e o ter asas brancas
e o saber-se
completa
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Diego in my mind
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A força de esperar
por um anel
para morrer
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tenho tanto medo de te falar
como de me pensar
mas tu sabes o que te queria dizer
Frida
gostava de ter pensamento e tempo
no fim
para escrever,
como tu
"Espero alegremente a saída
- e espero nunca mais voltar."
_..
22 Maio 2006
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21 Maio 2006
Boris Vian (1920-1959) foi um dos mais extraordinários criadores franceses do século XX. Formou-se em Engenharia, mas seria pelas artes que o mundo registaria o seu nome. Apaixonado pelo jazz (tocava, inclusive, trompete), boémio incorrigível, deu à luz títulos absolutamente inesquecíveis, como "O Arranca Corações", "A Espuma dos Dias", "O Outono em Pequim" ou a "Erva Vermelha".
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como se
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tocar as margens desta página
deste corpo
como se existisse já o corpo
sem caminho
acender palavras trémulas
como se houvesse uma lâmpada
atravessar-te o corpo unânime
como se o visse já sob o relâmpago
dizer-te um a um
os dedos das carícias
num enxame de palavras quase vermelhas
quase
como se a língua falasse sob o trovão tremendo
dizer-te
esta laranja incandescente
este músculo que desce
em água doce
como se te visse já e te tocasse a pele
sob esta chuva escura
atravessar a espessura deste papel com letras
como se as letras fossem
feridas no teu corpo
desenhar esse gesto
despenteado
como se o corpo
rolasse sob
as palavras mesmas
como se o caminho
se abrisse
tão perto da tua boca
é como se te respirasse
se eu falasse
como se respirasse
no caminho
como se estas palavras fossem já
esse caminho
para o teu corpo
como se houvesse um caminho
se eu falasse
se eu falar
vejo-te imagem só
mas não o corpo
ou nem a língua vejo
mal respiro
e no entanto uma palavra ascende
o caminho é este
através das palavras do teu corpo
são estas as pedras
vermelhas
negras
sob a chuva
estas mãos que buscam
o caminho na espessura
são o caminho já
tão perto já
da tua boca
da tua língua acesa
se eu falar
é este o caminho dos teus cabelos
da tua boca
cada palavra treme
com o tremor dos teus pulsos
com a loucura feliz
desta mão que ascende
sobre o teu corpo
e desce ao fundo
à água do teu sexo
e beijo o teu nome
entre os teus dentes
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antónio ramos rosa
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19 Maio 2006
-
estava de robe
barba por fazer
guitarra na mão incerta
absinto na boca
a fada verde na alma
cabia um dia
inteiro
naquele espaço
perdido
dás-me a provar absinto?
se te der chamas-me colaboracionistazinho?
vamos ouvir as folhas secas, no outono, debaixo de nós?
perdes-te no tempo...
se me perder sabes ir onde eu estava?
essa estação não fechou?
não sei. ficamos à porta.
da estação?
não. do tempo.
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17 Maio 2006
_Há dez anos que não te vejo.
Sabes? O Duarte ofereceu-me um livrinho de poemas sobre quadros de Cézanne.
O Duarte, que só viste dentro de mim.
Que diz que tu és bonita.
Assim, como só sabem dizer as vozes de dentro.
Sem temporalidade
Que tem o teu sorriso.
Talvez por saber, como tu sabes
Que te continuamos aqui.
O Diogo telefonou-me. Queria oferecer-me um telemóvel.
Já tenho dois, mas ele acha que eu devo ter muito de tudo.
É a parte dele de ti.
Que também te continua.
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07 Maio 2006
_ "O músico Lloyd Cole agendou quatro espectáculos para Portugal no mês de Maio. Santa Maria da Feira, Tomar, Alcobaça e Moita recebem o ex-The Commotions. . 02 Maio 2006
Um dos maiores singer/songwriters britânicos vai estar novamente entre nós. Lloyd Cole, vem a Portugal e "foge" das grandes metrópoles, para os ultimos "retoques" do seu próximo álbum de originais. Os concertos, esses, vão estar recheados de clássicos de Cole. Da época dos The Commotions e da sua carreira a solo. Nestes concertos intimistas (que não irão passar pelas habituais salas de concerto) Lloyd Cole estará acompanhado das suas guitarras e da sua voz que nos (en)canta letras de amor e paixão como já não se fazem. Este senhor de 45 anos pertence a uma espécie em vias de extinção: os singer/songwrites que nos falam ao coração. De uma maneira simples, romântica e sempre com um bom gosto intocável."
Pois é, Lloyd Cole mesmo à minha porta.
O último concerto será precisamente no Fórum Cultural de um dos pólos da rede de bibliotecas para a qual trabalho. E não faço a minima ideia se irei vê-lo ou não...
(O meu médico vai tentar uma terapia de choque. Duvido que resulte.)

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É feita de quantos absurdos?
Todos os dias nasce o sol, para que diurnos acordem e nocturnos descansem. Todas as noites há um noctívago fixando o olhar no céu, transformado em estrela: morta, ainda assim acesa, por anos luz.
Quando o céu destapa a boca da noite, escorre o escuro: é hora de dormir; para alguns, porque para outros, é só o começo de alguma coisa sem nome, negra, cheia de relâmpagos. Flashes de um dia turvo, incógnito; entre sonhos nómadas, feios e bonitos, acertos, erros, quase meios, entradas e saídas.
Para quem a noite é só uma criança a mais no berçário sem aurora, a vida é composta de bocejos, grandes clarões, fascínios imperdoáveis, glamour anónimo, inspiração.
Mas as horas contêm grandes pausas, largas, fecundas. Nesses instantes um pouco de tudo acontece: o veneno delicia, a bondade mata, a loucura cura, a água dá sede, eternas paixões arrefecem, óperas são compostas, Diabo e Deus beijam-se, a lua encontra o sol. E outros possíveis impossíveis.
Na hora sem hora em que o tempo não corre no relógio que desperta a dor, a noite pára.
Resta a certeza de que o absurdo chegou.
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10 Dezembro 2005
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Queria estar bem próxima do mar para perceber as brumas, metaforizadas no silêncio enevoado da minha casa, em dias nos quais nada nem ninguém perturbam a calma contundente de não se fazer nada, enquanto o mundo lá fora acontece singular.
Singular é a maneira como percebo que desaconteço, ferida na tentativa vã de sobreviver às certezas transitórias de uma vida-armadilha, entre lânguidos sussurros, e a sensação aborrecida de querer ser rocha, oceano; desde os píncaros dum zénite azulado até o fim dum horizonte nadir.
Entre um querer e outro eu escondo-me, eu pairo, eu recrio-me. Improviso divertimentos, pequenas artes, folguedos. Estouro da vontade que eu sempre quis. A pressa compelida de calma, cama, ócio dos apaixonados.
Sede: hemorrogia do avesso. Tantas maneiras de se criarem estes contrários iguais. No fundo não me importa se é sede o que sinto, derramo sempre.
Eu só queria ter até o fim dos meus dias esta inspirada fé em nadas, fazer cócegas na apatia e ser feliz.
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10 Dezembro 2005